Saúde mental de policiais no ES é prioridade em novo projeto de prevenção
Mais de 3.000 policiais e bombeiros capixabas foram afastados por transtornos mentais entre 2017 e 2023, e o Observatório de Suicídios da ASPRA-ES registrou 25 casos de suicídio entre militares, com predominância de praças e uso de armas de fogo como meio. Os dados revelam que o trabalho policial é uma das profissões mais estressantes e com maior risco de morte, e que a exposição constante a violência, assédio e pressão hierárquica tem consequências profundas para a saúde emocional da tropa.
Para enfrentar esse cenário, o deputado estadual Wellington Callegari (DC) apresentou o Projeto de Lei 225/2023, que institui a Política Estadual de Saúde Mental para as polícias Civil, Militar, Penal e Científica, além do Corpo de Bombeiros. A proposta prevê ações preventivas, assistência integral, monitoramento epidemiológico e proteção dos direitos individuais, com participação das entidades sindicais na gestão da política. O texto ainda garante que internações psiquiátricas involuntárias sejam usadas apenas como último recurso terapêutico, sempre visando a rápida recuperação do servidor.
“O desgaste físico e emocional dos policiais não pode ser negligenciado. Precisamos de políticas públicas que promovam cuidado real, prevenção e acolhimento, reduzindo sofrimento e salvando vidas”, afirma Callegari. Ele reforça que a pressão social e midiática, o assédio, a rigidez da hierarquia e a falta de reconhecimento profissional são fatores que aumentam o risco de adoecimento mental e suicídio entre os agentes.
Segundo 2º Sgt PM Ted Candeias Silva, vice-presidente da ASPRA-ES, episódios históricos como o movimento paredista de fevereiro de 2017 evidenciaram o impacto do ambiente institucional na saúde emocional da tropa. “Naquele período, 49 policiais tentaram suicídio e oito perderam a vida. Foi um alerta sobre o quanto a pressão e a insatisfação com condições de trabalho podem levar ao adoecimento mental”, lembra.
Desde 2020, a ASPRA-ES vem implementando ações concretas de prevenção e cuidado, por meio do Núcleo de Apoio Psicossocial (NAP). O núcleo oferece atendimento psicológico gratuito a militares ativos, inativos e dependentes, incluindo acompanhamento por psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais. Entre 2020 e o primeiro semestre de 2024, foram realizados mais de 3.000 atendimentos, com foco em transtornos ansiosos, depressivos, síndrome de burnout, comportamento suicida, problemas de relacionamento e abuso de álcool e drogas.
Além do atendimento clínico, a associação promove atividades físicas e eventos esportivos, como a Copa de Futebol ASPRA-ES e a Corrida do Soldado, que envolvem centenas de militares e contribuem para reduzir o estresse e fortalecer a integração social. Estudos indicam que a prática regular de exercícios melhora a saúde mental, aumenta o bem-estar emocional e auxilia na prevenção de adoecimentos.
O projeto de Callegari também estabelece que a Política Estadual de Saúde Mental seja alimentada por um sistema de dados com base epidemiológica, integrado ao SUS, permitindo o planejamento, controle e avaliação das ações. O acompanhamento contínuo visa identificar fatores de risco, oferecer intervenções rápidas e garantir que os direitos dos servidores sejam respeitados.
“Cuidar de quem cuida da sociedade é essencial para prevenir tragédias, preservar vidas e garantir que a segurança pública seja eficiente e humana”, conclui Ted Candeias Silva.

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