Autonomia não é ruptura: é afirmação de liderança

Autonomia não é ruptura: é afirmação de liderança

Existe uma diferença clara entre lealdade e servidão. A primeira nasce da coerência. A segunda, do medo. Nos últimos dias, tenta-se enquadrar o prefeito Arnaldinho Borgo em uma narrativa conveniente, como se sua trajetória política tivesse sido construída sob tutela. Essa leitura não resiste aos fatos.

Arnaldinho não chegou onde chegou por herança política. Chegou pelo voto.

Em 2020, venceu praticamente contra todas as expectativas. Enfrentou estruturas consolidadas, forças tradicionais e grupos que pareciam intransponíveis. Não havia máquina estadual a seu favor. Não havia padrinho político conduzindo sua campanha. Havia uma cidade que buscava renovação e que apostou em um projeto de transformação. E venceu.

Venceu porque representava mudança. E foi reeleito, algo que não acontecia há muito tempo na cidade, consolidando nas urnas a aprovação popular de sua gestão e a continuidade de um projeto político legitimado pelo voto.

A aliança com o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e com o governador Renato Casagrande veio depois, já com o governo municipal em andamento. E foi uma parceria que trouxe resultados concretos para a população. A cidade avançou, investimentos foram retomados, a economia reagiu e Vila Velha deixou de ocupar posição secundária para assumir protagonismo no cenário estadual.

Quando lideranças se unem por propósito, a população ganha. Mas a política também é o espaço onde o sucesso desperta desconfortos.

Chegamos a 2025 com o debate eleitoral antecipado. O governador, dentro de seu legítimo direito político, escolheu apoiar o nome do vice-governador Ricardo Ferraço para a sucessão estadual. Trata-se de uma decisão política natural dentro de qualquer grupo.

O que não é natural é a tentativa de transformar essa escolha em obrigação coletiva. Democracia não é imposição. É espaço de liberdade.

Arnaldinho declarou apoio ao governador para o Senado. Manteve a relação institucional. Reconheceu a importância da parceria construída. Não houve ruptura, ataque ou negação da trajetória do governo estadual. O que houve foi a preservação de um direito legítimo: o de construir o próprio caminho.

É exatamente nesse ponto que surge o incômodo.

Quando alguém opta por não se alinhar automaticamente a um roteiro pré-definido, surgem narrativas para reduzir sua autonomia. Tentam confundir independência com deslealdade. Tentam transformar coragem em ruptura.

Mas os fatos permanecem.

Traição seria abandonar compromissos com a população. Traição seria renunciar à própria convicção para atender conveniências momentâneas. Traição seria negar a legitimidade construída nas urnas.

Lealdade não é obediência cega. É coerência com o eleitor.

O que está em curso não é uma quebra de pontes. É a afirmação de autonomia. É o entendimento de que alianças não anulam trajetórias e que projetos estaduais não se constroem por imposição, mas por legitimidade política.

Arnaldinho representa uma geração que não aceita a política como herança automática nem como dependência permanente. Representa uma liderança que nasceu do voto, foi reafirmada pelo voto e continua sustentada pelo voto.

Na democracia, ninguém é dono do futuro de ninguém. Cada trajetória se constrói com legitimidade própria, coerência e coragem.

Submissão produz aliados. Autonomia produz líderes.