Eleito há cinco dias, Pazolini não parou: do agradecimento nas ruas à articulação com as instituições

Eleito há cinco dias, Pazolini não parou: do agradecimento nas ruas à articulação com as instituições

Aos 44 anos, o governador eleito do Espírito Santo não deu trégua ao relógio: 5h da manhã nas ruas, transição estruturada em 48 horas e quatro instituições visitadas em três dias. Lorenzo Pazolini está tratando a vitória como o primeiro dia de governo.

Lorenzo Pazolini (Republicanos) foi eleito governador do Espírito Santo no domingo (25), com 52,17% dos votos válidos, foram 1.151.818 contra 1.056.119 de Ricardo Ferraço (MDB). A vice na chapa é Eliane Leal (PL), policial militar da reserva e pastora evangélica. A coligação Paz para Viver reuniu Republicanos, PL e Democrata.

Mas a história da eleição não terminou na urna. Começou ali.

A vitória virou ponto de partida

Na noite da própria vitória, Pazolini recebeu a imprensa e apoiadores no comitê, em Vitória, e definiu o tom do que viria: “governar para todos e unir o Espírito Santo”, com a promessa de caminhar pelos 78 municípios do estado. Para alguém que entrou na política há tão pouco tempo, a frase que escolheu naquele momento soou como reconhecimento: “o sentimento é de gratidão”.

Poucas horas depois, por volta das 5 da manhã de segunda-feira, já estava nas ruas agradecendo o voto dos capixabas, antes de qualquer gabinete, antes de qualquer anúncio, o eleito voltou para onde a campanha começou.

Na segunda (26), em entrevista a uma rádio da capital, apresentou as primeiras diretrizes do futuro governo, entre elas um pacto contra o feminicídio no estado. Na terça (27), logo cedo, detalhou prioridades em rede de televisão: saúde descentralizada para evitar o deslocamento de pacientes do interior, integração das guardas municipais ao Ciodes, duplicação da BR-262 e investimentos em turismo e logística para absorver os efeitos da Reforma Tributária.

A transição andou no mesmo ritmo

Na segunda-feira (26), às 18h46, Pazolini protocolou ofício no gabinete de Ricardo Ferraço comunicando a designação de Erick Musso como coordenador da equipe de transição, oficializada publicamente na terça (27). A nomeação foi a primeira medida formal de Pazolini na montagem da estrutura que assumirá o comando do Executivo capixaba a partir de 2027.

Musso reúne o perfil que a campanha prometeu: formação técnica e trânsito político. Formado em Gestão Pública pelo Centro Universitário Faesa, começou na vida pública em 2010, como servidor da Assembleia Legislativa. Em 2012, foi eleito o vereador mais votado de Aracruz e presidiu a Câmara Municipal. Entre 2015 e 2023, cumpriu dois mandatos como deputado estadual e, de 2017 a 2023, presidiu a Ales por três biênios consecutivos, período em que liderou projetos como o Ales Digital, o Procon Assembleia e a Procuradoria da Mulher. Em 2023, assumiu a presidência do Republicanos no Espírito Santo e, em 2025, foi secretário de Governo na Prefeitura de Vitória.

Na quarta (28), veio o segundo nome: o economista Regis Mattos Teixeira, secretário municipal de Fazenda de Vitória e ex-secretário de Estado de Economia e Planejamento no governo Paulo Hartung. Formado pela Ufes, com mestrado pela FGV, ele será o responsável pelo levantamento e pela análise de dados que vão compor o raio-X do governo estadual.

Na quinta (29), o grupo cresceu mais uma vez. A pedagoga Juliana Rohsner, secretária municipal de Educação de Vitória desde 2021, foi anunciada como terceira integrante da equipe. Na transição, ela vai usar a experiência na administração educacional para o levantamento de informações, a análise das políticas públicas e o planejamento das ações do futuro governo. Há ainda expectativa de que o engenheiro Gustavo Perin, secretário municipal de Obras, também seja integrado, a equipe deve chegar a entre sete e nove membros.

Os três nomes vindos da Prefeitura de Vitória têm em comum pastas robustas, entregas que serviram de vitrine na campanha e a confiança direta do governador eleito. Como é comum nesse tipo de composição, parte da equipe de transição tende a ser aproveitada no primeiro escalão a partir de 6 de janeiro de 2027.

Do outro lado, o governo Ferraço também formalizou seu grupo, coordenado pelo secretário de Controle e Transparência, Edmar Camata, com o secretário de Governo, Pedro Caçador Neto, e o procurador-Geral do Estado, Iuri Carlyle. A passagem de bastão, portanto, caminha com boa vontade dos dois lados, condição que raramente é trivial em transições estaduais.

Perfis da equipe de transição

 

Erick Musso — Formado em Gestão Pública pelo Centro Universitário Faesa. Iniciou a trajetória pública na Ales, em 2010. Em 2012, foi eleito o vereador mais votado de Aracruz e presidiu a Câmara Municipal. Deputado estadual em dois mandatos (2015-2023) e presidente da Assembleia Legislativa por três biênios consecutivos (2017-2023), onde liderou o Ales Digital, o Procon Assembleia e a Procuradoria da Mulher. Preside o Republicanos no ES desde 2023 e foi secretário de Governo de Vitória em 2025.

 

Regis Mattos Teixeira — Economista (Ufes), mestre em Gestão Empresarial (FGV), com formação executiva na George Washington University. Auditor de Controle Externo do TCE-ES. Foi secretário de Economia e Planejamento no governo Hartung.

 

Juliana Rohsner — Pedagoga, com pós-graduação em Coordenação Pedagógica (Ufes) e mestrado em Ensino de Humanidades pelo Ifes. Servidora efetiva de Cariacica, foi coordenadora da EJA no município, pedagoga do Estado e gestora escolar antes de assumir a Educação de Vitória, em 2021. Acumula prêmios como Educadora Nota 10 e Gestão Escolar Nacional.

 

Do lado do governo atual: Edmar Camata (coordenação), Pedro Caçador Neto e Iuri Carlyle.

Quando as atitudes respondem às críticas

Durante a campanha, Pazolini foi alvo de ataques que o retratavam como um gestor fechado, incapaz de dialogar. Ele nunca precisou responder a esses ataques com palavras, respondeu com atitudes, e as dos primeiros dias após a eleição falam por si.

Ainda candidato, percorreu o estado ouvindo a população, ajustando o discurso à linguagem das ruas e construindo uma campanha de proximidade, sem o peso da máquina do Governo do Estado e com a maioria das estruturas municipais alinhadas ao campo adversário. Venceu com 52,17% dos votos válidos, uma diferença de quase 100 mil votos, sustentado por uma mensagem simples, direta e que falava a língua do eleitor.

Eleito, a resposta veio em forma de agenda. Na quarta-feira (28), visitou a Assembleia Legislativa para reunião com o presidente da Casa, Marcelo Santos (União), também deputado federal eleito, encontro acompanhado por Erick Musso. Na pauta, a transição de governo e a relação entre Executivo e Legislativo pelos próximos quatro anos. Pazolini reconheceu publicamente o papel fiscalizador da Assembleia e defendeu “um ambiente de união” entre os Poderes.

A agenda institucional não parou aí. Na segunda (27), o Procurador-Geral de Justiça recebeu o governador eleito no Ministério Público do Espírito Santo. Na quarta (28), foi a vez do Tribunal de Contas do Estado, acompanhado do coordenador da transição. O Tribunal de Justiça também integrou o roteiro. Em menos de uma semana, o governador eleito já havia se sentado com o Legislativo, o Judiciário, o Ministério Público e o Tribunal de Contas, um percurso que antecipa o estilo de governo que promete: dialogar antes de decidir.

E não foi uma agenda fria. Nas fotos dos encontros, o que se vê são apertos de mão demorados, sorrisos e conversas descontraídas, um clima de cordialidade que, em política, nem sempre é cenário montado. Entre um encontro e outro, Pazolini repetia a mesma mensagem: a transição seria pautada pelo planejamento e pelo respeito às instituições.

“O ciclo eleitoral acabou, é hora de dialogar”

Na quinta (29), em entrevista a um veículo nacional, Pazolini consolidou o discurso que já vinha praticando: “o ciclo eleitoral acabou e é hora de dialogar”. Defendeu que a classe política deve “respeitar, formular, planejar e preparar os estados” para as melhorias que o país precisa e sinalizou disposição de ampliar a conversa com o governo federal, dizendo que não terá problemas com o presidente Lula, apesar do apoio recebido de Flávio Bolsonaro (PL) na campanha.

A posse é em 6 de janeiro de 2027. Até lá, o Espírito Santo acompanha um governador eleito que já começou a governar antes do cargo: agradeceu nas ruas, montou uma transição técnica, sentou-se com o Legislativo, o Judiciário, o Ministério Público e o Tribunal de Contas. Em cinco dias, Pazolini respondeu com fatos a quem dizia que ele não sabia dialogar e mostrou que a maior virtude de um governante não está no discurso, mas na disposição de ouvir.