Jornada de trabalho menor pode significar menos emprego e menos produtividade, alerta estudo
Em discussão no Congresso Nacional, a redução da jornada de trabalho no Brasil pode trazer mais folga, mas também pode reduzir empregos, salários, ganhos e produtividade, além de elevar a inflação e a informalidade. O alerta foi feito por estudo da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemig).
Atualmente, existem quatro Propostas de Emenda Constitucional (PEC) para redução da jornada de trabalho. Três delas sugerem diminuir as atuais 44 horas semanais para 36 horas. Outra sugere 40 horas semanais. A popularidade decrescente do governo atual pode incliná-lo a apoiar a proposta. De acordo com pesquisa da Nextus, 65% dos brasileiros apoiam a redução da jornada de trabalho.
Segundo a pesquisa da Fiemig, 64% dos trabalhadores brasileiros formais trabalham entre 41 e 44 horas semanais. Eles estão concentrados na construção civil, na indústria de transformação, no comércio e na agropecuária. Se a redução for aprovada, estas serão as áreas que mais afetadas.
Ainda segundo a Fiemig, se não houver aumento proporcional da produtividade, a redução da jornada de trabalho poderia extinguir até 18 milhões de empregos. Isso porque a mudança aumentaria os custos operacionais das empresas, reduzindo a competitividade e incentivando a informalidade.
Além dos empregos, haveria redução também da renda dos trabalhadores e da produtividade nacional. Na estimativa mais pessimista da Fiemig, haveria uma redução de até 16% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Ademais, a massa salarial poderia sofrer uma perda expressiva de R$ 480 bilhões.
Finalmente, segundo o estudo, a redução da jornada de trabalho pode gerar inflação. Produtores pequenos e médios teriam aumento dos custos de produção. Esses custos teriam de ser repassados ao consumidor. Como resultado, os produtos e os serviços tenderiam a ficar mais caros.
Mundo
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil possui carga horária semanal de 36 horas. O número inferior à média global (39,9 horas) e de outros países com renda semelhante. A carga brasileira é maior somente do que a dos países da Europa e da América do Norte, regiões cuja produtividade é muito maior.
Existem países onde a redução da jornada de trabalho foi bem-sucedida. É o caso de Coreia do Sul e Alemanha. No entanto, a redução ali foi acompanhada por tecnologia, automação e educação, gerando aumento da produtividade.
Enquanto isso, em países como a França, houve a tentativa de reduzir bruscamente a jornada de trabalho de 39 para 35 horas. O resultado foi perda de produtividade, aumento de custos e desaceleração da economia.
(Com informações do Gazeta do Povo. Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

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